Segurança Privada: Exército de Precários (Extra)

Paulo Guimarães: “Num organismo do Estado, que é de todos, o vigilante está a dar a cara sozinho”

Esta entrevista foi disponibilizada à Comunidade Fumaça em conjunto com o segundo episódio de “Exército de Precários”, um audiodocumentário, em oito partes, sobre a segurança privada em Portugal.

Quem conversa com Paulo Guimarães tem de ter tempo. Há quase três décadas na segurança privada, natural de Rio Tinto, tornou-se, no final de 2019, num dos líderes orgânicos da luta pela aplicação da transmissão de estabelecimento à sucessão de contratos de prestação de serviço na vigilância. A lei já mudou, mas Paulo Guimarães quer mais.

Em cerca de oito horas de entrevistas ao Fumaça, entre fevereiro e maio de 2020, deixa uma longa lista de reivindicações. Pago “para guardar o que não é seu”, exige mais formação e regulação, critica patrões e sindicalistas e apela à união da classe: “Em termos laborais, a segurança privada parece um mundo a parte. Enquanto não houver pessoas com força e sem medo de enfrentar, não temos hipótese”.

Primeiro com o Grupo 8, depois sob a alçada da Strong Charon e, agora, empregado pela PSG, Paulo Guimarães é um dos vários seguranças privados na Estação Ferroviária de Campanhã, no Porto. Não é funcionário público, mas há 14 anos que guarda um edifício do Estado, gerido pelas Infraestruturas de Portugal. Aí, diz ter percebido que, mesmo num contrato público, o vigilante está condenado a ser precário: “Eles querem ter na mão o trabalhador”.

Com o apoio:

A série “Exército de Precários” foi realizada com o apoio de bolsas de investigação jornalística atribuídas pela Fundação Calouste Gulbenkian (2018) e Fundação Rosa Luxemburgo (2020). Os contratos podem ser consultados em www.fumaca.pt/sobre.

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