Ricardo Esteves Ribeiro Voltar

Jornalista

Redação

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Aos 17 anos, enquanto sonhava com um curso de Ciência Política ou Filosofia convenci-me de que a candidatura a Gestão era a via mais rápida para um dia não ter de trabalhar para alguém. Não foram precisos mais de três meses para perceber que o curso não me dizia nada. E saí. Trabalhei em empresas tecnológicas em Lisboa e em Milão – a Uniplaces, a WalletSaver, a Unbabel (da qual sou acionista minoritário contra a minha vontade) –, mas o sonho de ler, ouvir e contar histórias, sempre esteve comigo. Nos blogues sob pseudónimo, nos romances inacabados por não conseguir lidar com o facto de tanta gente escrever melhor do que eu. Então, lia. E os livros entravam casa adentro, subindo pelas prateleiras até transbordarem sobre a secretária, o chão, as cadeiras. Talvez nunca tenha saído de uma livraria sem um livro. E quanto mais livros leio, mais inquieto vivo por ter a certeza de que nunca conseguirei ler tudo o que quero. Em 2016, cofundei o Fumaça com uma série de amigos. Depois de ver, ler e ouvir tantos outros projetos de jornalismo independente fora do país, perguntei-me: Porque ninguém conta estas histórias em Portugal? Porque ninguém faz estas perguntas? Porque ninguém ouve estas pessoas? Como disse Eduardo Galeano, um dia: “O que eu gostaria de ser escrevendo é ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado. As pequenas, as minúsculas coisas da gente anónima, da gente que os intelectuais costumam desprezar”. A partir daí, as horas de sono, que sempre me foram poucas, espremeram-se ainda mais – não se consegue dormir com a injustiça à frente dos olhos.

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