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Saúde Mental

António Coimbra de Matos: “É impressionante a quantidade de pessoas que não dorme sem tomar uma droguinha à noite”

13 Agosto 2020
06:05

“Ainda se acredita muito que as doenças mentais vêm de dentro do indivíduo, que são pulsões, fantasias. Não se dá muitas vezes o peso suficiente à sociedade. Há doenças mentais porque há pais e sociedades doentes.” 

António Coimbra de Matos diz isto a Miguel Mealha Estrada, psicanalista pediátrico com quem conversa no livro A Vida é um Sopro (Oficina do Livro, 2018). É uma generalização que o médico, figura incontornável da pedopsiquiatria e da psicanálise em Portugal, passa uma parte desta entrevista a explicar: uma criança doente pode ser uma sintoma de uma família perturbada. Então, como tratamos a família?

Coimbra de Matos, 91 anos, dedicou grande parte da sua vida a tentar entender a depressão. Desinteressou-se pela psiquiatria nos primeiros anos de carreira, no início dos anos 60. A prática era pouco eficaz: havia poucos medicamentos, acabavam de aparecer os antidepressivos, usavam-se eletrochoques e choques insulínicos (provocados pela injeção de insulina). Iniciou o internato em neurologia, que não terminou, e encontrou-se, por mero acaso, na psicanálise. 

Trabalhou com adultos no Hospital Júlio de Matos, atual Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. Em 1967, foi para o Centro de Saúde Mental Infantil e Juvenil da cidade, onde trabalhou com João dos Santos, pioneiro da pedopsiquiatria em Portugal, e ficou diretor durante 20 anos. O centro encerrou em 1992 para dar origem ao Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital D. Estefânia, onde Coimbra de Matos deu consultas até à reforma. Hoje trabalha apenas no seu consultório privado, em Lisboa.

Iniciou carreira como professor em 1982 na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, e em 1990 tornou-se docente no Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Foi presidente do Colégio da Especialidade em Psiquiatria da Infância e Adolescência da Ordem dos Médicos. E, agora, vê-se como professor-investigador: “Não baseado nas doutrinas do Freud ou de outro qualquer, é na observação dos meus pacientes que retiro informação e construo as minhas teorias”, costuma dizer.

Hoje resume os mais de 60 anos de prática clínica a um conjunto de histórias que gosta de contar. Nesta entrevista, gravada numa manhã de julho no seu consultório em Lisboa, conta umas quantas, enquanto falamos de depressão, doenças mentais e as relações com a família e o trabalho.

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Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

Se alguém está em perigo, ligue imediatamente 122
Se tem sintomas de depressão ou tem pensamentos de suicídio, utilize a Linha SNS24 através do número 808 24 24 24.

SOS VOZ AMIGA
Horário: 16:00 – 24:00
Contacto Telefónico: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660
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CONVERSA AMIGA
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VOZES AMIGAS DE ESPERANÇA DE PORTUGAL
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TELEFONE DA AMIZADE
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VOZ DE APOIO
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Contacto Telefónico: 225 506 070
Email: [email protected]

O atendimento é da responsabilidade de cada uma das linhas.

Esta entrevista foi feita a propósito de uma grande reportagem sobre saúde mental e prevenção do suicídio na qual estamos a trabalhar, em parte financiada por uma parceira com o projeto Setembro – Mês da Prevenção do Suicídio, promovido pela ARIS da Planície – Associação para a Promoção da Saúde Mental, e financiado pela Agência Ciência Viva. O contrato pode ser consultado aqui.

Entrevista
  1. Margarida David Cardoso
edição
  1. Nuno Viegas
fotografia
  1. Joana Batista
preparação
  1. Margarida David Cardoso
som
  1. Bernardo Afonso
texto
  1. Margarida David Cardoso
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