Margarida David Cardoso Voltar

Jornalismo

Redação

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Nasci no mesmo ano que o espaço Schengen e vivi 18 anos numa casa onde não é preciso bater às portas porque ninguém as fecha. Talvez isso explique, em parte, porque me custa tanto perceber a ideia de fronteiras e de muros. Sou da Lixa e estudei no Porto. A primeira redação onde entrei tinha uma porta a fazer de mesa e um cacifo com autocolantes sobre o fim das propinas. Foi no Jornal Universitário do Porto, onde fui editora de cultura e, depois, codiretora. Licenciei-me em Ciências da Comunicação e, com estágio feito, estava certa de que nunca mais teria a oportunidade de pôr os pés numa redação. Por sorte, enganei-me: estive quase dois anos e meio no Público, primeiro na secção de Local, depois na de Sociedade. Cresci muito. Aprendi ainda mais. Até que o Fumaça me chamou para fazer aquilo em que sempre acreditei: que só com tempo se encontram outras vozes, se reduz a inevitabilidade de cometermos erros, se aprende a olhar para onde ninguém parece estar. Acredito que só com tempo, profundidade e diálogo o jornalismo se aproxima de algo verdadeiramente livre. E, como já estou habituada a dormir pouco e nesta casa nem sequer há portas, embarquei.

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