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Eleições Brasil 2018

Guilherme Boulos: “No Brasil, tem mais casa sem gente do que gente sem casa”



O clima de tensão e violência que se sente na política brasileira não é de hoje, mas cresceu na corrida para as eleições gerais do passado outubro – ao todo, foram contados dezenas de ataques e agressões políticas durante a campanha eleitoral. Depois da eleição de Jair Bolsonaro como 38º presidente da República Federativa do Brasil e do congresso mais à direita da última década, o clima continuou.

A 13 de dezembro, foi intercetado, pela Polícia Civil, um plano para assassinar Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro, eleito pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). Segundo uma denúncia que a polícia recebeu, três milicianos, incluindo um polícia militar, planeavam executar Freixo numa ação de trabalho com professores no bairro de Campo Grande, no Rio, na manhã de 15 de dezembro.

Guilherme Boulos, que foi candidato a presidente nas eleições gerais brasileiras do passado outubro pelo PSOL, o mesmo partido de Freixo, onde teve 0,58%, diz ter medo: “evidentemente, nós temos receio do que vai acontecer no Brasil”. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro ameaçou criminalizar o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do qual Boulos é dirigente, e tipificar as suas ações como “terrorismo”: “Bandidos do MST. Bandidos do MTST. As ações de vocês serão tipificadas como terrorismo. Vocês não levarão mais o terror ao campo ou à cidade. Ou vocês se enquadram e se submetem às leis, ou vão fazer companhia ao cachaceiro lá em Curitiba.”, disse o presidente brasileiro numa ação de campanha.

Entrevistei Boulos no sábado, dia 15 de dezembro, durante a sua passagem de umas horas por Lisboa. O tempo era curto – menos de 30 minutos de entrevista – mas a gravidade dos tempos fez-nos avançar. Encontrei-me com o ativista e ex-candidato presidencial no Mercado do Forno do Tijolo, entre uma conversa com o Coletivo Andorinha e o seu discurso no evento “Alerta Brasil: Democracia Ameaçada”, organizado pelo Bloco de Esquerda.

Conversámos sobre a perseguição política ao MTST, das ocupações como arma política, do futuro do combate ao governo, da sua candidatura a presidente da república brasileira e da sua relação com o ex-presidente Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores, que gerou desconforto no seio do PSOL.

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