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Gilberto Nascimento: “A IURD está fazendo mobilização política fortíssima entre pastores e fiéis no Brasil”

27 Fevereiro 2020
06:15

Líder espiritual ou charlatão? Religioso ou político? Pastor ou empresário? Dogmático ou pragmático? Estas são algumas das perguntas que as brasileiras e os brasileiros fazem a si mesmos diante de um dos seus personagens mais complexos e influentes: o bispo, empresário e – por que não? – político Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada por ele em 1977, e da TV Record, uma das três maiores emissoras de televisão do Brasil.

Com um património pessoal estimado em mais de mil milhões de dólares, Macedo tem negócios em diversas áreas. Além da IURD – com 1,87 milhões de fiéis no Brasil, segundo o IBGE – e da TV Record, tem empresas nas áreas de comunicação, saúde, seguros e no setor financeiro.

Politicamente, apoiou o Partido dos Trabalhadores (PT) na eleição de Lula da Silva, em 2002, e esteve na posse de Dilma Rousseff, em 2011. A presidente, por sua vez, esteve na inauguração do Templo de Salomão, em 2014. 

Dois anos depois, Macedo apoiaria o impeachment de Dilma Rousseff – considerado, por setores progressistas, um golpe parlamentar – e a ascensão ao poder do vice-presidente Michel Temer, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). 

Nas eleições de 2018, apoiou de início o candidato Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O ex-governador de São Paulo reunia o apoio dos maiores partidos de direita e de centro, além de contar com a simpatia do empresariado e do setor financeiro. O seu intento era colocar-se como o verdadeiro opositor ao PT, que ia para a disputa presidencial com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

Crítico do bolsonarismo, Alckmin, assim como os demais candidatos, recolheu as armas depois do atentado à faca contra Jair Bolsonaro, no início de setembro de 2018. 

Internado – e, portanto, fora de debates e entrevistas – o candidato, que se tornaria presidente, pôde controlar sua comunicação. A sua liderança nas pesquisas, que já existia desde o início de 2018 no cenário sem Lula, iria consolidar-se e expandir-se.

Pouco a pouco, empresários, o setor financeiro e conservadores alinhados com o PSDB passaram a apoiar a candidatura de Bolsonaro. Entre os apoios recebidos, um foi considerado fundamental para que obtivesse 46% dos votos no primeiro turno: justamente o de Edir Macedo.

A história e a influência do bispo Edir Macedo são alguns dos temas da entrevista com o jornalista Gilberto Nascimento, que cobre a história da IURD e do seu criador desde a década de 1990 e, recentemente, publicou o livro “O Reino: a história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal” (Companhia das Letras). 

Fotografia: Bernardo Guerreiro

Entrevista
  1. Danilo Thomaz
Texto
  1. Danilo Thomaz
Edição
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
Preparação
  1. Danilo Thomaz
Som
  1. Bernardo Afonso
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