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Eleições Legislativas Regionais Açores 2020

Fernando Diogo: “A probabilidade de ser pobre nos Açores é o dobro da média nacional”

22 Outubro 2020
06:15

Olhar para a Região Autónoma dos Açores através de estatísticas ao invés das brochuras interativas da Direção Regional do Turismo, é ver um mundo distinto.

Vêem-se os pastos verdejantes como sinónimo da sobredependência do setor primário. Repara-se nas fotos das crianças que se banham no mar, e paira no ar a taxa de abandono precoce da educação mais elevada do país. As pitorescas habitações rurais passam a ter as vistas pintadas por uma taxa de risco de pobreza de 31,8%.

É aqui que se bebe mais e fuma mais em todo o país. É nos Açores que a esperança média de vida é mais baixa e que a taxa de obesidade é maior. Também foi destas nove ilhas que saiu boa parte da diáspora portuguesa na América-do-Norte.Os Açores são a região mais pobre e a mais desigual de Portugal. Um em cada 10 açorianos recebem o Rendimento Social de Inserção, três vezes a proporção do resto das pessoas nacionais. Mais de metade da população ativa ficou pelo ensino básico. Quem continua na escola tem as médias mais baixas no ensino secundário e a taxa de retenção mais elevada de todo o espaço português.

Eleições Legislativas Regionais nos Açores

E, no entanto – ou talvez por isso –   é na Região Autónoma dos Açores que se vota menos. Nas eleições legislativas de 2019, a abstenção foi de 63%. Nas europeias, no mesmo ano, 81%. Nas autárquicas, de 2018, 46%. Nas presidenciais de 2016, 69%. E nas últimas eleições legislativas regionais, em 2016, 59%.

No domingo, 25 de outubro de 2020, os açorianos voltam às urnas para decidir a composição da Assembleia Legislativa Regional. Tendo em conta os resultados eleitorais, o Representante da República [figura nomeada pelo presidente da República, com um mandato de duração correspondente, para cada região Autónoma] nomeia a presidência do Governo Regional dos Açores que, desde 1996, é controlado pelo Partido Socialista – em maioria absoluta, desde 2000, primeiro com Carlos César (atual Presidente do PS), depois com Vasco Cordeiro.

É nas vésperas dessa eleição que entrevistamos Fernando Diogo, sociólogo,  professor na Universidade dos Açores, e investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA). É coordenador do pólo açoriano dessa instituição, da secção de Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais da Associação Portuguesa de Sociologia e, ainda, membro do grupo de trabalho sobre pobreza infantil da Rede Europeia Anti Pobreza. É fundador e presidente da Assembleia Geral da KAIROS, uma cooperativa de incubação de economia solidária.

Desde 1991 trabalha as questões da pobreza, do emprego, da exclusão social, da educação e da infância, particularmente no contexto da Região Autónoma dos Açores. Falámos sobre tudo isso.

Captação de Som nos Açores: Rui Botelho, da Rádio Atlântida.
Fotografia: Rotary Portugal – Distrito 1960, do arquivo de Fernando Diogo.

Edição
  1. Pedro Miguel Santos
Entrevista
  1. Nuno Viegas
Preparação
  1. Nuno Viegas
  2. Pedro Miguel Santos
Som
  1. Bernardo Afonso
Texto
  1. Nuno Viegas
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