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Recursos hídricos

Rui Cortes sobre recursos hídricos

5 Julho 2018
10:14

A água é um bem escasso. Por muito que não pareça a quem vive em grandes cidades, como Lisboa ou o Porto, o líquido que sai das nossas torneiras não é um dado adquirido. Basta recordar a situação vivida na Cidade do Cabo, na África do Sul, para se chegar a esta conclusão.

Em Portugal não chegámos ainda ao ponto drástico que se vive nessa e noutras zonas do continente Africano, mas não deixa de ser preocupante. Como vimos o ano passado, e no princípio de 2018, o país está, também, bastante vulnerável a períodos de seca prolongados, que põem em causa a sua capacidade de assegurar recursos hídricos adequados em todo o território nacional.

Esta condição decorre, em boa parte, das alterações climáticas. Mas não só. Existem vários outros factores que põem em perigo as nossas águas como, por exemplo, a poluição dos rios. Como vimos recentemente no caso do Tejo, as descargas protagonizadas por entidades privadas, nomeadamente as celuloses, danificam um bem que é público, e são a manifestação de uma externalidade grave que estas empresas geram para o meio ambiente, por vezes com efeitos irreversíveis.

mw-860 Fotograma retirado de um vídeo de Arlindo Consolado Marques

Por outro lado, a gestão de recursos hídricos em Portugal tem sido constantemente secundarizada, na opinião de alguns, como o ex-ministro do ambiente do primeiro Governo de José Sócrates, Francisco Nunes Correia. Com os cortes dos anos da Troika, entidades competentes como as ARHs (Administrações de Região Hidrográfica) foram extintas e integradas na Agência Portuguesa do Ambiente, naquilo que Nunes Correia, entre outros, considera ser “uma perspectiva retrógrada de subalternização desta temática”

Dentro deste tema, várias outras questões saltam à vista. Serão as barragens energia limpa? As penas e as multas para as empresas que poluem os rios são adequadas? Como se coordena a gestão de caudais com os nossos vizinhos de Espanha? Poderão Lisboa e Porto deixar de ter água a sair das suas torneiras algures nas próximas décadas?

Para Rui Cortes, professor na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, tudo isto são questões às quais não podemos escapar. O especialista em recursos hídricos foi o convidado do É Apenas Fumaça desta semana e falou da enorme falta de informação que existe nestes assuntos e abordou ainda temas como a remoção de barragens, o plano nacional de regadios e a aposta na rega para atividades agrícolas.

Edição de texto
  1. Pedro Miguel Santos
Entrevista
  1. Tomás Pereira
Preparação
  1. Bernardo Afonso
  2. Tomás Pereira
Som
  1. Bernardo Afonso
Texto
  1. Tomás Pereira
Video
  1. Frederico Raposo
Vídeo
  1. Bernardo Afonso
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