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PREC

Peter Robinson: “Escrevi para casa, a 25 de novembro de 75, dizendo: ‘isto é o final da revolução’”

25 Novembro 2018
14:07

Peter Robinson nasceu em 1946, na África do Sul. Dois anos mais tarde, começaria o apartheid, que impunha no país o racismo e a segregação como lei, até aos anos 90. Aos 12, mudou-se para o Reino Unido. Os seus pais, militantes comunistas clandestinos, fugiram do regime contra o qual lutaram, depois de algum tempo presos . Peter cresceu em Inglaterra e juntou-se à International Socialist Organization (ISO) – não confundir com a Internacional Socialista, que junta partidos sociais-democratas e trabalhistas – uma organização política trotskista, fundada a partir dos anos 50. Não era comunista, como os pais, porque sabia o que se passava na Rússia, conta.

O fascínio pelo estudo da promessa de socialismo africano levou-o a estudar o colonialismo português. Durante o Verão Quente de 1975, em que as tensões políticas se intensificaram e o número de atentados bombistas perpetrados pela rede terrorista de extrema direita aumentou, visitou Lisboa. O que aconteceu em Portugal, durante o Período Revolucionário em Curso (PREC) “não tem paralelo”, diz. “Embora se possa comparar com o maio de 68, mas este foi durante um período muito mais curto e teve muito menos tomada e mudança de estruturas de poder do que em Portugal”.

Peter visitou Portugal como “turista revolucionário”, com um grupo de ativistas: “Nós não viemos pelo sol ou pelo fado. Viemos para ver o que as pessoas estavam a fazer”. Durante duas semanas, visitou fábricas, herdades e hotéis tomados por trabalhadores, assembleias populares e cooperativas formadas no pós-25 de abril, e juntou-se a reuniões de ativistas de esquerda. Em outubro do mesmo ano, voltou novamente a Portugal, onde ficou a trabalhar como ativista a tempo inteiro. A 25 de novembro de 1975, faz hoje 43 anos, escreveu uma carta para casa onde disse: “isto é o fim da revolução”.

Para alguns, como se lê, por exemplo, no voto de saudação aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa, aprovado a semana passada, no 25 de novembro deu-se o “movimento que conteve a ala de radical do Movimento das Forças Armadas, apoiada pela extrema-esquerda”, que “determinou a natureza pluralista e democrática do regime político e constitucional português, na senda da consolidação do processo democrático iniciado pelo 25 de Abril.”. Para outros, foi o fim da utopia socialista, onde seria o povo a tomar o poder.

Afinal, o que aconteceu a 25 de novembro de 1975? Como foi o Verão Quente desse ano? Quando acabou a revolução?

Esta entrevista, foi feita em conjunto com Joana Craveiro, arquivista, atriz, encenadora, dramaturga e diretora artística do Teatro do Vestido, que ajudou a produzir o episódio, em parceria com os BAGABAGA STUDIOS.

Entrevista
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
  2. Joana Craveiro (Teatro do Vestido)
Fotografia
  1. Ricardo Lopes (BAGABAGA STUDIOS)
Preparação
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
  2. Joana Craveiro (Teatro do Vestido)
Som
  1. Bernardo Afonso
Texto
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
Vídeo
  1. Bernardo Afonso
  2. Frederico Raposo
  3. Ricardo Lopes (BAGABAGA STUDIOS)
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