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No rio Tejo, há uma “via verde para as empresas poluírem”

O Tejo precisa de água. António Constantino, residente em Vila Nova da Barquinha, conta que o castelo de Almourol já foi “uma ilha” e “neste momento é simplesmente uma península”. O seu filho, Paulo Constantino, outro rosto destacado na luta contra a poluição do rio mais extenso da Península Ibérica, ilustra a situação: ”as roupas das crianças que mergulham nas águas do rio entram brancas e saem amarelas”.

A 3ª Manifestação Contra a Poluição do Rio Tejo e Seus Afluentes, organizada pelo ProTejo – Movimento pelo Tejo, desfilou, este sábado, dia 14 de outubro de 2017, do Cais do Sodré ao Terreiro do Paço, tendo juntado cerca de 300 pessoas.

As mudanças estão a fazer sentir-se mais a montante. Talvez seja por isso que as pessoas em Lisboa ainda não respondem em peso à chamada. A resposta coube às organizações de proteção ambiental, mas mobilizou sobretudo cidadãos que vivem nas margens do rio Tejo, nos distritos de Santarém e Castelo Branco. Vêem-se em risco e fizeram questão de marcar presença, clamando “Por um Tejo vivo!”.

É ali, consequência da seca extrema e de descargas ilegais, que as consequências são mais visíveis. São palpáveis. Os peixes morrem e a visível deterioração do estado do rio coloca em risco a própria actividade económica das terras e a saúde das populações locais.

Coincidência, ou não, em Lisboa o rio também vai dando sinais a quem olha. Algo não corre como devia. Durante o desfile, aqueles que, ao passar pela Doca da Caldeirinha, que foi recentemente devolvida à vida, olharam para a água, depararam-se agora com um local de paragem de peixes mortos. Ali mesmo, no coração da Lisboa turística.

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(Fotografia: Ana Brazão/Rios Livres GEOTA)

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