Palestina

Mudar Kassis: “A ajuda internacional tornou-se uma forma de assegurar que a exploração continua”

Quando, em 1993, foi assinada a Declaração de Princípios dos Acordos de Oslo por representantes do Estado de Israel e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), ficou escrito e acordado o reconhecimento da legitimidade e dos direitos políticos de ambas as partes — a OLP passaria a reconhecer “ao Estado de Israel o direito de existir em paz e segurança”; o governo de Israel passaria a reconhecer “a OLP como representante do povo palestiniano” e promoveria o estabelecimento de uma autoridade governativa interina para os palestinianos, até que os vários temas por resolver podem ser decididos (ouve a nossa série Palestina, histórias de um país ocupado para saber mais).

“Oslo foi a receita para substituir questões reais com questões que são confortáveis dentro do quadro neoliberal. Questões de liberdades foram substituídas pelo exato oposto: governança. Questões de riqueza e prosperidade foram substituídas por questões sobre a capacidade de se ser explorado — i.e.: empregos —  e ajuda internacional.”, diz Mudar Kassis, filósofo palestiniano. Se os Acordos de Oslo seriam o início da criação de um Estado para a Palestina, para a criação desse Estado seria necessário o envolvimento da “comunidade internacional” na forma de “ajuda ao desenvolvimento”. A partir desse momento, milhares de milhões de dólares foram despejados na Cisjordânia e em Gaza por Estados internacionais como os Estados Unidos da América, o Japão ou países europeus

Mas para Mudar Kassis, professor do departamento de Filosofia e Estudos Culturais da Birzeit University, na Palestina, e também diretor da Dignity Initiative da mesma universidade, o objetivo dessa estratégia é claro: “Em vez da ajuda internacional retribuir o que foi retirado ao Sul Global, tornou-se uma forma de assegurar que a exploração continua.” Quase 30 anos depois da assinatura dos Acordos de Oslo, a ocupação da Palestina continua e o apartheid israelita também. Há uma pergunta que fica: para onde foi todo esse dinheiro?

Nesta entrevista, falamos sobre a história da ideia de autodeterminação dos povos e da indústria da “ajuda ao desenvolvimento” na Palestina.

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