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Juan Branco: “Julian Assange não é um whistleblower”

17 Novembro 2016
16:11

Uma das mais importantes características da Democracia é a fiscalização do povo em relação às decisões que os seus representantes tomam, e apenas o acesso à informação sobre essas decisões torna isso possível. Desde sempre governos esconderam informação de interesse público: desde a guerra do Vietname à invasão do Iraque, entre muitas outras situações; desde sempre whistleblowers existiram: desde o Daniel Ellsberg até aos mais recentes Edward Snowden e Chelsea Manning, entre muitos outros que o fizeram anonimamente, para que informações de interesse viessem a público, ou para seu próprio aproveitamento político.

Hoje, por todo o mundo, whistleblowers são condenados como criminosos e neutralizados para que o seu impacto diminua. Por outro lado, representantes que cometeram crimes, e que foram revelados pelas denúncias de whistleblowers continuam impunes, vivendo a sua vida de sempre, e sem consequências. Esta desigualdade tem de mudar.

Conversámos sobre este tema com o Juan Branco, assessor jurídico da Wikileaks e membro da equipa de defesa de Julian Assange. É impossível negar a influência da Wikileaks nas recentes eleições americanas e na maneira como hoje, políticos são confrontados com a possibilidade dos seus mais importantes segredos serem revelados. Ainda assim, a Wikileaks não é uma organização de whistleblowers, é uma organização de jornalistas. O papel que a Wikileaks faz é o de publicar informação que lhes chega às mãos e que acreditam ser de interesse público. O Julian Assange, que foi esta semana, pela primeira vez, interrogado pela justiça Sueca, está refugiado na embaixada do Equador em Londres. Assange é um jornalista, e um ataque ao Assange é um ataque à liberdade da imprensa.

Falámos sobre as questões editoriais da Wikileaks; sobre o papel dos whistleblowers na Democracia; sobre porque está Julian Assange refugiado; sobre porque escolheu a Wikileaks publicar várias das informações sobre Hillary Clinton e nada sobre Donald Trump; e sobre o futuro do jornalismo independente.

Edição de som
  1. Bernardo Afonso
Edição de vídeo
  1. Frederico Raposo
Entrevista
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
  2. Maria Almeida
Preparação
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
Texto
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
preparação
  1. Maria Almeida
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