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5 Fevereiro, 2017

atualidade

Na Rua – Vigília Fechar Almaraz

Em frente à embaixada de Espanha, em Lisboa, voltaram a ouvir-se palavras de ordem contra a energia nuclear e pelo fecho da Central Nuclear de Almaraz, que se localiza a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, na província de Cáceres.

A “Vigília Fechar Almaraz” foi o culminar de uma conferência internacional antinuclear que juntou mais 250 cientistas, técnicos, ativistas e cidadãos, na Fábrica do Braço de Prata, na zona ribeirinha oriental da capital. Ironicamente, aconteceu um dia depois de se saber que em Fukushima, Japão, na central nuclear destruída por um terramoto e tsunami, em março de 2011, os níveis de radiação nunca estiveram tão altos.

Por Portugal, há muito tempo que não se ouvia falar tanto do tema. O país não tem instalações para enriquecimento de urânio ou produção para fins comerciais desta energia. Mas Espanha tem. Sete centrais nucleares em funcionamento. E, de Espanha, vêm os ventos e as águas do Tejo que, em caso de acidente em Almaraz, espalhariam rapidamente a radiação pelo território nacional.

Porquê o receio? A Central de Almaraz devia devia ter encerrado em 2010, mas o tempo de vida foi prolongado até 2020. Na sua história, conta com mais de uma centena de paragens, incidentes, problemas e acidentes, peças defeituosas. Em dezembro passado, o governo espanhol aprovou a construção de um novo armazém para os resíduos nucleares nos terrenos da central, o que levou ambientalistas ibéricos à conclusão de que se queria estender, até 2030, o funcionamento dos reatores.

Começou uma contenda política e diplomática entre Portugal e Espanha e as vozes de ecologistas e cidadãos dos dois lados da fronteira têm-se ouvido cada vez mais.

Na vigília organizada pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), não faltaram cartazes, música e muita chuva. Tanto que não conseguimos saber o nome das aguerridas espanholas com quem começamos o Na Rua. Ouvimos António Eloy, dirigente do MIA e um histórico ativista contra o nuclear em Portugal, considera que o Ministro do Ambiente é incompetente para lidar com a situação; Luís Rodenas, enrolado numa gigante bandeira republicana espanhola explicou como a monarquia e o nuclear estão ligados; e Diogo Lisboa, dirigente da Quercus, defende que o governo Português tem de se fazer ouvir.

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