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Habitação

Casa ocupada em Lisboa ou a utopia do Direito à Habitação

23 Fevereiro 2018
14:16

15 de Setembro de 2017. Dezenas de pessoas entravam pela porta do número 69 da Rua Marques da Silva, em Arroios, Lisboa, que se encontrava devoluto e abandonado há mais de 2 anos, reivindicando-o para si e para quem o quisesse renovar.

Lia-se no manifesto publicado nesse mesmo dia na página de Facebook da Assembleia de Ocupação de Lisboa (AOLX) que “nos últimos anos, o direito a habitar na cidade de Lisboa tem sido alvo de diversos ataques.”, e também que “a recomposição destrutiva dos modos de vida na cidade, agora reservada a quem consegue pagar mais caro, é ilustrada pelos sucessivos casos de despejo.”. A ocupação do número 69 era um ato político que tinha expressão na faixa que enfeitava a fachada do prédio: “A cidade é de quem a ocupa” . E os turistas passavam e olhavam e fotografavam a faixa. E sorriam.

O prédio, pertencente à Câmara Municipal de Lisboa, tinha servido de habitação a várias famílias eventualmente realojadas noutras casas camarárias. Tanto o número 69 como o prédio vizinho, o número 67, tinham sido desocupados. Eram agora casa sem gente, quando há cada vez mais gente sem casa. Em 2016 e 2017, segundo o Ministério de Justiça, foram despejadas cerca de 5 famílias por dia em Portugal. As rendas em Lisboa aumentaram entre 30% e 40% desde 2014. Os pobres são empurrados para fora da cidade e para fora das suas casas A cidade, essa, fica para quem a pode pagar.

A AOLX avançava com obras de renovação do edifício e, durante cerca de 4 meses, o que outrora fora um prédio degradado por consequência do abandono – água entrava pelo telhado, criando infiltrações, as escadas principais do prédio estavam em más condições, a parede lateral da entrada estava podre – parecia agora pronto para alojar gente. E alojava. Duas pessoas vivam já no 69 da rua Marques da Silva.

O sonho chegou ao fim e a ocupação terminou a 30 de Janeiro quando, sob ordens de Manuel Salgado, vereador do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais de Lisboa, os ocupas foram despejadas e a porta de entrada emparedada com cimento e tijolo. Hoje, nada se lê na fachada do prédio – está abandonado em vez de ocupado.

Esta é uma reportagem gravada na ocupa sobre o direito à habitação e à ocupação. O que vais ouvir são uma série de testemunhos de quem ocupou a casa, de quem a viveu e também de quem a visitou.

Música: Ayton, um dos ocupas do nº69 da Rua Marques da Silva

Entrevistas
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
  2. Catarina Leal
Reportagem
  1. Ricardo Esteves Ribeiro
Som
  1. Bernardo Afonso
Texto
  1. Ricardo Esteves Ribeiro

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