Menu
Jornalismo independente
progressista e dissidente

7 Fevereiro, 2018

atualidade

Falastine Dwikat sobre a prisão de Ahed Tamimi

ahedtamimi
(Fotografia: AFP)

Em 1991, Israel assinou a convenção internacional sobre os direitos da criança da Organização das Nações Unidas que se aplica a todas as pessoas menores de idade. No seu artigo 37º pode ler-se “a captura, detenção ou prisão de uma criança devem ser conformes à lei, serão utilizadas unicamente como medida de último recurso e terão a duração mais breve possível”.

Ahed Tamimi, palestiniana de 17 anos (tinha 16 quando foi detida), permanece presa desde a noite de 19 de Dezembro, quando soldados israelitas apareceram no seu quarto para a levar, depois de um vídeo que mostrava Ahed a dar uma bofetada a um soldado se ter tornado viral. O mês passado, um tribunal militar israelita decidiu mantê-la presa a aguardar julgamento sem data conhecida. Podem ser semanas, podem ser meses.

Ahed está agora a ser julgada nos tribunais militares israelitas, tal como acontece a qualquer criança palestiniana que se encontre detida e ao contrário do que acontece a crianças israelitas. De acordo com a Defence for Children International, desde 2000, pelo menos 8000 crianças palestinianas foram presas e julgadas num tribunal militar israelita, não tendo variadíssimas vezes acesso a direitos básicos como o de poder estar com a família num claro desrespeito do direito internacional, e sofrendo, 3 em cada 4 crianças, de violência física durante a detenção, transferência ou interrogatório.

O historial de desobediência a convenções das Nações Unidas por parte de Israel é já longo e, segundo Falastane Dwikat, ativista palestiniana com quem falamos hoje, “o sistema atual de apartheid e o sistema de ocupação israelitas têm como objetivo esmagar os palestinianos e as palestinianas”. Incluindo crianças.

Falastine falou-nos desde Ramallah, uma cidade palestiniana a 20 quilómetros de Nabi Saleh, a vila onde vive a família Tamimi, incluindo Ahed. Falastine tem sido uma das mais ativas pessoas na campanha #FreetheTamimis, estando presente nas variadíssimas ações de protesto não violentas contra a prisão da Ahed, Nariman (a mãe de Ahed) e outros membros da família Tamimi que tantas vezes foram presos.

A prisão de Ahed, as acusações que enfrenta, a normalidade que é uma criança palestiniana ser detida indefinidamente e a ocupação israelita foram temas que abordámos na conversa que podes ouvir aqui:

Texto, preparação, entrevista e captação de som: Ricardo Ribeiro
Edição de som: Bernardo Afonso

Nota: Onde estava escrito "Ahed Tamimi, uma criança palestiniana de 17 anos (tinha 16 quando foi detida)", está agora "Ahed Tamimi, palestiniana de 17 anos (tinha 16 quando foi detida)". Foi também acrescentado ao texto que a convenção internacional sobre os direitos da criança da Organização das Nações Unidas se aplica a todas as pessoas menores de idade.

Acreditamos que o papel da comunicação social é escrutinar a democracia. Se acreditas no mesmo e queres continuar a ouvir falar de temas como racismo, educação, religião, direitos LGBT, direitos dos imigrantes, alterações climáticas e corrupção, contribui aqui.