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Jornalismo independente
progressista e dissidente

19 Abril, 2018

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Nota – É Apenas Fumaça ganha bolsa de apoio ao jornalismo independente de 80 mil euros

Projeto de jornalismo independente, que edita um dos podcasts mais ouvidos em Portugal, ganhou uma bolsa de 80 mil euros, concedida pela Open Society Foundations.

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A equipa do É Apenas Fumaça no final da primeira emissão em direto, na manifestação “Enterrar de vez o Furo, Tirar as petrolíferas do Mar”

O É Apenas Fumaça anunciou hoje que ganhou um fundo, no valor de 80 mil euros, entregue pela Open Society Foundations. Isso permitirá ao órgão online iniciar novos formatos e contratar profissionalmente parte da equipa que, desde 2016, desenvolve o projeto.

Com o objetivo de escrutinar a democracia, questionar as decisões políticas de quem é nomeado ou se faz eleger, e dar voz a representadas e representados – especialmente às camadas da população que menos a expressam – o É Apenas Fumaça consegue assim avançar para a formalização oficial como órgão de comunicação social.

“Este financiamento vai permitir-nos continuar a fazer jornalismo independente, progressista e dissidente. Vamos criar uma redação, trabalhar a tempo inteiro, com condições laborais dignas e sem precariedade. O nosso trabalho jornalístico vai expandir-se para outros formatos, como reportagens, áudio documentários, artigos de opinião e um telejornal semanal. O site também vai ser totalmente renovado”, disse Ricardo Ribeiro, co-fundador do É Apenas Fumaça e jornalista.

Maria Almeida, co-fundadora e jornalista do É Apenas Fumaça, destaca a importância que a transparência tem para o grupo e anuncia que irão “tornar público o contrato assinado com a Open Society Foundations, bem como os nomes de todas as pessoas que até hoje contribuíram com o seu dinheiro.” Explica ainda que o grupo entende o fundo como um ponto de partida: “permite montar uma estrutura, mas é na criação de um público que nos ajude regularmente e nos permita ser sustentáveis que apostamos.”

As informações sobre a gestão deste valor estão, desde hoje, disponíveis para consulta pública aqui. Qualquer pessoa poderá saber onde e como vai ser gasto o dinheiro da bolsa, nomeadamente, que percentagem é destinada ao pagamento de salários, impostos devidos ao Estado, compra de material técnico ou despesas em reportagem.

“O mais importante é manter a independência. Não temos publicidade e até agora só recebíamos donativos dos nossos ouvintes, leitores e espectadores. Candidatamo-nos ao fundo da Open Society Foundations por sabermos que não haveria qualquer interferência editorial”, explicou Pedro Santos, jornalista da equipa.

O É Apenas Fumaça foi fundado em junho de 2016 e já lançou 120 episódios. É um dos podcasts mais ouvidos em Portugal, superando as 250 mil audições. Cobre temas como direitos humanos, racismo, imigração, discriminação, educação, feminismo, questões LGBT, ambiente, religião ou memória histórica.

Nós últimos meses, a equipa começou a produzir reportagens e tem agendado para breve o lançamento de uma áudio-série documental, de vários episódios, gravada na Palestina.

A Open Society Foundations foi criada por George Soros, investidor e magnata húngaro-americano, e é uma rede de mais de 20 fundações espalhadas pelo mundo, que financia projetos e organizações cujos objetivos sejam promover a justiça, a educação, a saúde pública ou o jornalismo independente.

O É Apenas Fumaça é produzido por Bernardo Afonso, Frederico Raposo, Maria Almeida, Pedro Santos, Pedro Zuzarte, Ricardo Ribeiro, Sofia Rocha e Tomás Pereira.