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Violência Doméstica

Sofia Neves: “Há muitas queixas de violência doméstica mas não há condenações efetivas”

14 Outubro 2021
07:14

A violência doméstica é um fenómeno complexo e comum, mas acima de tudo, perigoso.

Em 2020, dos 30 homicídios registados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima em contexto de violência doméstica, 26 das vítimas eram mulheres. Entre 2014 e 2019, foram assassinadas 111 mulheres em relações de intimidade. Mulheres como Lúcia Rodrigues, assassinada a tiro pelo companheiro; Ana Paula, estrangulada pelo marido; ou Vera Silva, espancada pelo ex-companheiro; são apenas alguns dos nomes que constam do Relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR, de 2019. 

A violência doméstica contra cônjuge ou análogo é o crime de que há mais queixas em Portugal: 23 439 participações num ano, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna de 2020. O que chega aos tribunais é ainda a ponta do iceberg. No ano passado foram feitos 33 973 inquéritos judiciais, mas 21 327 foram arquivados. Só 37%, 5 043, se tornaram em acusações concretas. 

Mas o que está por trás destes números? Porque é que a maioria das vítimas é mulher e a maioria dos agressores homem? Porque é que é tão difícil sair de uma relação violenta? Porque é que só 11% das condenações judiciais são a prisão efetiva? 

Neste episódio entrevistamos Sofia Neves, doutorada em psicologia social, professora e investigadora na Universidade da Maia, e membro integrado do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género da Universidade de Lisboa. É presidente da Plano i, uma associação não-governamental de promoção da igualdade que tem feito investigação sobre violência doméstica e trabalhado na intervenção direta com as vítimas. Ao longo dos últimos anos, quer Sofia Neves quer a Plano I têm trabalhado em diversos projetos com a colaboração ou o financiamento da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e a Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade.

No estúdio da Engenharia Rádio, no Porto, conversámos com a especialista em violência de género sobre o desequilíbrio de poder nas relações, o impacto das crenças conservadoras nas relações sociais de género e as dificuldades de resposta das autoridades e instituições.

Edição
  1. Pedro Miguel Santos
Edição de Texto
  1. Nuno Viegas
Entrevista
  1. Maria Almeida
Fotografia
  1. Maria Almeida
Preparação
  1. Maria Almeida
  2. Pedro Miguel Santos
  3. Margarida David Cardoso
Som
  1. Bernardo Afonso
Texto
  1. Maria Almeida
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