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Jornalismo independente
progressista e dissidente

26 Junho, 2018

Bernardo Afonso
Pedro Miguel Santos
Ricardo Ribeiro
Tomás Pereira

entrevista>Passos Perdidos

Tiago Barbosa Ribeiro sobre trabalho

Tiago Barbosa Ribeiro, 34 anos, sociólogo, é um dos mais novos deputados do Partido Socialista (PS) na Assembleia da República e também dos mais conotados com a facção mais à esquerda do partido.

A sua vida partidária começou no Bloco de Esquerda (BE). Chegou a concorrer a deputado, pelo BE, nas listas da cidade invicta, em 2005 (em 18º lugar), mas foi pelo PS que chegou ao Parlamento, eleito pelo círculo do Porto, em 2015. A sua ascensão dentro das estruturas partidárias foi sempre a subir: de presidente da Federação Distrital da Juventude Socialista do Porto (2013-2014) a líder da concelhia do PS Porto (2015-2018).

Coordena as deputadas e os deputados rosas para as Áreas do Trabalho e Segurança Social na atual legislatura e foi sobre legislação laboral que falámos: da aplicação do PREVPAP (Programa de regularização extraordinária dos vínculos precários na Administração Pública) às mudanças à legislação laboral propostas pelo Governo e Parlamento.

Discutimos também o aumento do salário mínimo nacional. A 6 de Março de 2013 o portuense clamava na rede social Facebook contra o seu baixo valor: “O salário mínimo em Portugal está nos 485 euros. Há milhares de portugueses que vendem a sua força de trabalho e levam para casa pouco mais de 15€ por dia. É impossível, em Portugal, em 2013, viver com 15€ por dia”.

Seria Tiago Barbosa Ribeiro – ou qualquer outro deputado ou deputada – capaz de viver, hoje, com 580 euros por mês? Admitindo que é um valor muito baixo, o parlamentar defende os aumentos progressivos definidos no Programa de Governo de se chegar aos 600 euros, em 2019. Um mês antes, a 1 de maio, dia do Trabalhador, Arménio Carlos, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), tinha reivindicado 650€ no início do próximo ano.

Na data em que foi gravada esta entrevista, a 5 de junho, talvez o deputado portuense não imaginasse que os próprios patrões poderiam, até, superar os valores definidos pelo governo. António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), disse sábado, 23 de junho, numa entrevista ao Jornal de Negócios/Antena 1: “Os 600 euros são a meta do governo, mas provavelmente se continuarmos neste desenvolvimento, nesta garantia de manutenção e nas alterações que desejamos produzir ao nível da melhoria dos factores de produção então é possível que esse valor até possa vir a ser melhorado”.

As declarações de um dos mais importantes representantes do patronato podem ser lidas como uma contrapartida pela assinatura do acordo de concertação social, a 18 de junho de 2018, entre Governo, UGT – União Geral de Trabalhadores, CIP, CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal, CCP- Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, e CTP – Confederação do Turismo Português.

De fora, mostrando “profundo repúdio“, ficou a CGTP-IN que já marcou uma manifestação para dia 6 julho, data em que o Parlamento tem agendada na reunião plenária importantes diplomas para alterar a legislação laboral. Além da Proposta de Lei do Governo – que põe em em letra de lei as mudanças acordadas com os parceiros sociais – estarão em debate e votação seis projetos de lei do Partido Comunista Português, sete do BE, três do Partido Ecologista “Os Verdes” e dois do PAN – Pessoas-Animais-Natureza.

A Esquerda já se mostrou contrária às proposta do Governo. Resta saber que lado vão escolher as e os parlamentares do PS, liderados nestas matérias por Tiago Barbosa Ribeiro: a Geringonça ou uma “troika” com o Partido Social Democrata e o CDS – Partido Popular?

Até já.

CORREÇÃO: Há um erro na introdução da entrevista feita ao Tiago Barbosa Ribeiro. Diz-se que foi candidato pelo BE nas listas do Porto, em 2015 (em 18º lugar), em vez de 2005. Foi um lapso, como se lê no texto que acompanha o trabalho.
As nossas desculpas ao deputado Tiago Barbosa Ribeiro e demais visados.

Texto e entrevista: Pedro Miguel Santos
Preparação: David Crisóstomo (Hemiciclo), Pedro Miguel Santos, Ricardo Ribeiro, Tomás Pereira
Fotografia, captação e edição de som e vídeo: Bernardo Afonso

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